quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Copo Meio Cheio.

Com o copo meio cheio e o coração vazio, ele passa horas sentado na mesa daquele velho bar do subúrbio. No intervalo entre uma dose de whisky e outra, ele acende um cigarro e lamenta os tombos que a vida lhe deu.

Nunca foi do tipo que perde tempo pensando em como poderia ter sido.  Sempre agiu sem pensar nas consequências, mas tudo que vai, volta, e uma hora a vida mostra os reflexos de cada ato.

Por que ela me deixou? - Resmungava sozinho.

Pensou talvez, que poderia ser a falta de amor. Ou talvez, ela nunca tenha realmente se importado. Mas no fundo sabia que estava só tentando encontrar um motivo para tirar o peso da consciência de que a culpa era somente dele.

Se ele pelo menos reparasse nas vezes em que ela queria conversar, ou se, pelo menos alguma vez prestasse realmente atenção nas coisas que ela contava toda empolgada e ele apenas sorria. Se pelo menos ele tivesse escutado mais Caetano do que aquele Heavy Metal que não dizia nada sobre amor.
Talvez ela teria ficado um pouco mais.

Ela não era tão difícil de ser decifrada. Na verdade, ele a decifrou com tamanha facilidade. Só esqueceu que precisaria conquistá-la todos os dias com pequenos gestos. Pecou em achar que o jardim floresce apenas com as sementes jogadas na terra. Que tolice a dele.

Chamou o garçom pediu outra dose de whisky, mas dessa vez sem gelo, para sentir a bebida descer amarga, assim como a dor de ter deixado ela partir.

Tomou o ultimo gole e concluiu que a gente sempre sabe quando um grande amor entra em nossas vidas, mas nunca sabe quanto tempo ele vai ficar, e pior, nunca se sabe como vamos nos recuperar depois da rasteira que se leva com essa perda.





Foto: Tumblr