terça-feira, 19 de agosto de 2014

Horas intermináveis


          Tem dias que ela só quer o silêncio de seu quarto e o aconchego de um abraço. Nesses dias todas as coisas parecem dar errado, as peças de seu quebra-cabeça sem fim parecem não se encaixar.
        
    Ela quer ser simpática, mas a apatia toma conta de seu dia. Tentar não dizer coisas ruins nem sempre é dizer coisas boas.

          As palavras não saem tão bonitas e o som da tv torna-se ensurdecedor.

          As horas  no relógio parecem estacionar. O sono demora a chegar. Até o frio que ela tanto ama, parece não estar de acordo com o seu humor.

          Ela esteve em vários lugares durante o dia, mas preferia não ter saído de seu quarto. Tentou pela terceira vez começar a ler seu novo livro, mas não conseguia se concentrar.

          O passatempo escolhido foi seu violão antigo. Sua tentativa de passar o tempo foi em vão, pois de tão antigo algumas cordas estavam arrebentadas.

          Ela deitou-se na cama frustrada tentando entender o motivo de seu dia estar sendo tão difícil. Lágrimas escorriam pelo seu rosto até molhar também o travesseiro.

          O celular vibrou na cabeceira da cama, esperançosa ela pegou o celular, era uma mensagem. Era a mensagem que mudaria seu humor, com as palavras mais bem escolhidas. 

          Respondeu a mensagem e enfim entendeu, que nem todos os dias serão de flores pelo caminho, alguns dias encontrará espinhos. Entendeu também que os beijos ás vezes não chegam, que a visita nem sempre é possível e que ser dependente demais de alguém pode ser prejudicial a saúde.